O que é a Constelação Sistêmica ou Familiar?

CONSTELAÇÃO FAMILIAR

Como surgiu?

As Constelações começaram como um método terapêutico e que depois se expandiu para organizações e empresas. Este método foi “percebido” por Bert Hellinger, alemão, que hoje tem 89 anos.

O método tem quase 40 anos e continua sendo desenvolvido e ampliado nos cursos e formações que ele dá. Desta ampliação surgiu, o que ele chama, de Movimentos da Alma que é como a constelação vem sendo chamada.

O Bert comenta não ter inventado as constelações, mas sim que ele percebeu as dinâmicas dos relacionamentos entre as pessoas. Inicialmente estas observações aconteceram quando trabalhou como missionário católico com os Zulus na África e notou como diferentes grupos tinham maneiras diferentes de reverenciar e cultuar os ancestrais.

Depois de um tempo ele se retirou da Igreja, se tornou psicanalista, atuou em áreas como a Gestalt, terapia primal e vários outros métodos de ajuda e cura. Até chegar nas Constelações como são aplicadas hoje.

 

Por que o nome CONSTELAÇÃO?

A palavra em alemão Steling, traduzida literalmente, pode significar estrela ou representação. Originalmente Hellinger pensou em Representação Familiar, mas o primeiro livro traduzido, em italiano, trouxe como CONSTELAÇÃO, algo relacionado às estrelas. Ficou assim, pois Bert sabia a dificuldade de se nomear este trabalho.

Se imaginarmos as constelações no céu, cada estrela e planeta tem o seu lugar, tudo está em harmonia. Agora imagine tirar a terra da sua órbita em alguns graus? Como seria? Terremotos, desastres naturais, enfim o caos!

Simplificando radicalmente é disso que se trata nas Constelações Sistêmicas, colocar as pessoas no seu devido lugar dentro do seu sistema. Seja este sistema familiar, empresarial, religioso ou organizacional.

Importante notar que esta abordagem não tem ligação com religião, misticismo ou qualquer abordagem esotérica, sem desmerecer estas linhas que respeito profundamente.

Por conta da força e do que a Constelação trás a tona, algumas pessoas acham que algo sobrenatural acontece, mas não é assim. É realmente impressionante, mas todos ficam conscientes e presentes em uma constelação. Não existe “possessão” nem nada do gênero.

O que é a Constelação?

O processo das Constelações é similar à empatia, só que aumentada. E o que significa empatia? É a capacidade de estabelecer sintonia com outras pessoas, como “calçar” as sandálias dos outros, e de se colocar na experiência ou ainda fantasiar do outro.

Do ponto de vista científico, a empatia é possível graças a algumas células em nosso cérebro, chamadas “neurônios espelho”. Em estudos realizados por neurocientistas, percebeu-se que estes neurônios tornam possível na nossa imaginação, ter sensações ou se colocar no lugar do outro.

Para entender melhor as Constelações é útil fazemos algumas considerações a respeito de Crenças, Realidade, Consciência Leve e Pesada, e explicar as Ordens do Amor:

Crenças

Quantos de nós tivemos crenças que mudaram ao longo da vida. Quem já acreditou um dia no coelhinho da páscoa? Ou no Papai Noel? Muitos de nós passamos na infância por esta experiência, para mais tarde descobrir que eram nossos pais ou parentes próximos que traziam os ovos ou presentes.

Algumas crianças ficam alegres ao descobrir isto, outras se frustram quando descobrem a verdade e perdem aquela fantasia.

Depois nos tornamos adultos e fazemos isto com nossos sobrinhos, com nossos filhos, e depois com os netos, pois é bom cultivar a esperança e as mensagens que estas fantasias trazem.

Neste raciocínio, quem nunca passou por uma experiência que mudou totalmente a maneira de perceber o passado? Então o que é a realidade?

Realidade:

Quem de nós já se magoou com o comportamento de alguém? Ou quem já se surpreendeu com algo que alguém fez?

Porque isto acontece?  Se frustrar ou se surpreender acontece porque nós não lidamos com as pessoas ou com a realidade em si. Nós lidamos com nossas expectativas ou fantasias a respeito das pessoas ou de como elas deveriam agir!

Se nós nos relacionássemos com a realidade, com a verdade das pessoas, nunca nos magoaríamos ou ficaríamos surpresos com o comportamento dos outros.

Ouço continuamente o quanto os outros “deveriam” ser sinceros, autênticos e transparentes, mas de verdade? Ninguém é totalmente sincero, totalmente transparente, nós aprendemos desde cedo a não demonstrar tudo que se passa na nossa vida e dentro de nós pelo convívio social.

Nossa tendência é escondermos as questões desagradáveis dos nossos sistemas e em nós, não contamos quando aquele tio rouba o irmão, ou quando um avô teve filhos fora do casamento, não se fala do antepassado que era homossexual e exclui-se nas conversas o fato do irmão que se suicidou, ou que matou, ou que usava drogas.

Estas questões são abafadas nas famílias ou deliberadamente escondidas algumas vezes por vergonha, outras por conta da dor.

 

Ouvi dos meus primeiros professores de Constelação algo que gosto de repetir:

Quando uma criança diz que não consegue dormir, porque tem um monstro embaixo da cama. Ela está falando sobre a realidade ou não? Um dos pais pode pegar a criança pela mão tranquilizá-la, mostrar que embaixo da cama não tem nada, do ponto de vista objetivo não existe um monstro embaixo da cama, mas o medo da criança é real, para ela existe um monstro!

Muitas das vezes o que acontece são os medos por algo que não vai bem para a criança. São sentimentos que temos por aquelas questões ocultas dentro da família, aquelas questões que são escondidas e que conscientemente não temos noção, mas que nosso coração percebe.

A constelação derruba as máscaras, trás a tona as questões que estão nos arquivos inconscientes da família, gerando problemas no presente das pessoas.

 

Sobre a Consciência leve e pesada:

Uma das reflexões que Hellinger desenvolveu foi a de que ter a consciência leve ou consciência pesada nada tem a ver com certo e errado. Isto pode chocar a primeira impressão, mas imagine que sua família sempre foi pobre, que seus pais fizeram escolhas que os deixaram numa situação financeira muito difícil e que você goza de uma situação financeira confortável, como você se sente?

Ou que vários membros da sua família estão doentes e você está saudável? Normalmente as pessoas se sentem mal, se sentem culpadas por terem uma sorte diferente. Agora imagine que você fica doente também, como se sente?  Se você não pensar muito, vai perceber certo alivio. Ufaaa eu sou igual eu tenho o mesmo problema.

Mesmo na dor! Pois ficam com a consciência leve ao participarem do mesmo destino da família. Por termos a necessidade de nos sentirmos igualados ao nosso sistema.

A Abordagem Sistêmica é amoral, ou seja, ela não julga as pessoas como boas ou ruins, Hellinger foi duramente criticado no começo, justamente por algumas afirmações que escandalizam as pessoas, pois vira de “pernas para o ar” muitos dos conceitos do que é bom e do que é ruim.

Quando por amor, para nos sentirmos igualados nos relacionamentos dentro e fora da família, nos deixamos adoecer ou falhar temos o “O AMOR QUE ADOECE” e algumas atitudes tidas como ruins, de “O AMOR QUE CURA”.

Esta foi uma das surpresas que tive com esta abordagem, aprender que o que motiva o comportamento das pessoas é na grande maioria das vezes AMOR!

 

As Ordens

Ele notou que na ânsia de pertencer ou manter os sistemas, as pessoas quebravam certas ORDENS, que chamou inicialmente de ORDENS DO AMOR.

Por amor os membros acabam desrespeitando estas ordens e isto gera dor e problemas que nas constelações chamamos de emaranhamentos.

A primeira ordem é a HIERARQUIA:

Nada mais é o respeito a quem veio antes. Dentro da família quem veio antes? Os PAIS, depois o casamento, e depois os filhos, do mais velho para o mais novo.

Os pais são os grandes e os filhos os pequenos. Isto também vale para empresas e organizações.

A segunda ordem: EQUILIBRIO ENTRE O DAR E O RECEBER:

Para haver harmonia no relacionamento familiar, ou em uma amizade, no casamento ou nas empresas eu dou um pouco e recebo do outro também.

Existe apenas um relacionamento que não existe equilíbrio; entre Pais e filhos, pois os pais dão algo que nunca poderemos pagar: A VIDA! Como equilibramos isto? Passando a vida para frente, seja tendo filhos, ou nossos projetos, nossas empresas, ensinando algo.

A terceira ordem: PERTENCIMENTO:

Todos que nasceram em uma família ou sistema têm igual direito de pertencer, independente de escolha sexual, religiosa, qualquer coisa! A pessoa tem o direito de pertencer.

Como estes conceitos são aplicados na vida real:

Vou chamar o cliente de Pedro (Fictício)

Este homem me procurou com várias questões, para ele a questão principal era o relacionamento com a 2ª esposa e a filha. Mas ao longo da conversa confessou estar quebrado financeiramente a ponto de perder a corretora de seguros que tinha. Olhando para a aparência dele notava-se que a saúde também estava ruim, pois estava com sobrepeso, problemas no joelho e com bebida.

Na constelação surgiram às dinâmicas ocultas, ele se via como “maior” que a mãe (Ordem da Hierarquia quebrada), sendo filho mais velho ele queria cuidar e defender a mãe. Ele se colocou ao lado desta, contra o Pai o que minava suas forças, pois ao excluir e julgar o Pai ele não tinha acesso ao masculino.

Esta mãe que teve tragédias em sua família também, se apoiava nele e isto o sobrecarregava, gerando o sobrepeso, os problemas financeiros e de saúde (questões normalmente ligadas a mãe).

Ao mesmo tempo ele julgava o pai, se colocava ao lado deste “imitando” o comportamento dele sem consciência, como o Pai ele traiu a primeira esposa e a abandonou, e estava traindo a esposa atual também.

Como o pai os relacionamentos dele eram desequilibrados, ele exigia muito da esposa, pois ao não se colocar como filho, como o pequeno ele estava sempre ressentido com as mulheres. Como ele não tomava a mãe exigia da companheira (Ordem entre o dar e o Receber).

O detalhe essencial surgiu durante a constelação: a mãe do Pai, ou seja, a avó Paterna havia se suicidado quando o pai tinha por volta de 12 anos de idade. O que explica a dificuldade do pai com as mulheres e com a questão financeira.

Com o processo ele pode se retirar do emaranhamento que era o casamento dos pais, e se colocar no lugar de filho. Deixando com os Pais o destino deles, com respeito.

No final da sessão ele comentou o quanto se sentia mais leve. A crença profunda de que as mulheres querem apenas o dinheiro e prende-lo havia mudado, quando ele se colocou no lugar como filho, aceitando a vida que veio dos pais, pelo preço que custou. Aceitando os pais com o bom e o difícil.